A década de 90 foi acompanhada pelo florescimento da sociedade civil estabelecida em organizações não-governamentais (ONGs) e pelo crescimento do conceito de responsabilidade social na iniciativa privada. Hoje, enquanto atores sociais, ONGs e empresas privadas iniciaram parcerias na concepção e realização de projetos para o desenvolvimento social.
Para que se possa tirar o máximo de proveito destas parcerias, deve haver uma relação contínua de troca entre as partes. É uma oportunidade excelente de unir a sensibilidade e o conhecimento de causa das organizações sociais à capacidade empresarial de gerir recursos e de realizar ações realmente transformadoras. O sucesso das alianças desta natureza está ligado à flexibilidade e ao aprimoramento das competências dos parceiros, como em um processo de aprendizagem mútua.
Este diálogo acrescenta a inovação social ao ambiente empresarial. Ao mesmo tempo, fortalece muitas ONGs em relação à profissionalização. Estas parcerias favorecem a atuação com transparência e a capacitação para a realização de prestações de contas. Com o aumento do número de ONGs de fachada ou que ocultam atividades lucrativas é fundamental que as organizações que desejam respeitabilidade implementem uma gestão transparente, com realização de balanços contábeis e controle eficiente das verbas arrecadadas.
Com estas parcerias articulam-se forças, visões e competências intersetoriais, potencializando a descoberta de novas tecnologias sociais. O Brasil ainda tem muitos passos a percorrer para o amadurecimento do relacionamento entre iniciativa privada e terceiro setor pelo desenvolvimento social. Um bom começo aos leitores responsáveis por ONGs é o de investir na transparência da gestão.
*Dr Luiz Chor é vice-presidente da FIRJAN e presidente do Conselho de Responsabilidade Social da Federação.